segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Brincando de ser poeta

Há certos momentos da vida,
Em que a inspiração convida
E o meu verso corre livre...
Vai longe, longe, distante,
Sem encontrar barreiras,
Sem descobrir as fronteiras
Do real e do imaginário.

Vai ao mundo do Barroco
E se faz sofisticado.
Sente-se, então, como louco;
Tudo é tão exagerado!

Fica pouco, gosta menos.
Não quer saber de incertezas.
Procura espaços amenos
Onde imperem as belezas!

Vai ao Paraíso Romântico;
Sente-se aí bem melhor,
Se bem que não saiba cânticos
Pra cantar o seu redor.

A norma é rígida, severa.
O verso pra ter valor,
Tem que brotar da austera
Mente de um bom cantor.

E o meu verso tenta cantar.

Canta os melosos amores,
Canta o céu, a natureza;
Canta a alegria das flores,
E dos pássaros, a pureza.

Mas, rompendo com as normas,
Quer ser livre, espontâneo...
Corre apressado ao presente
E no Moderno se solta.
Pode fazer-se cantado
Es   ti   ca   do
Que           do
         bra
Ninguém liga,
Tudo é certo.
O que tem real valor
É a inspiração que comanda
E traz pra fora da gente
Tudo aquilo que se sente!

Meu verso já está exausto.
Formou-se de tantos modos,
Brincou tanto, foi tão longe,
Em eras que não são dele!
Agora, recolhe-se ao ninho
De mão dadas com a inspiração
Que vai ficando so... no... len... ta...
E, de mansinho... Adormece.